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| BIOGRAFIA | |
Nasci no dia dezenove de junho de mil novecentos e setenta e nove na cidade de Salvador, Bahia, Brasil. Sempre fui percebido como um ser tranqüilo. Minha família conta que fui uma criança calma e quase não fazia estripulias. Hoje vejo como fui (e sou) inquieto. Por dentro, na minha essência. Nunca fui de demonstrar exatamente o que e como sentia, embora fosse amoroso. Penso que tímido seria (e continua a ser) um bom rótulo para mim. Cresci relativamente próximo à natureza e numa interação frenética com a televisão e os jogos eletrônicos. Sem dúvida aprendi muito com eles. Foi uma fase muito rica. Neste quadro infante, sem planejar, dediquei-me aos momentos de solidão. Muitos dos quais sofridos, mas que certamente me fortaleceram e auxiliaram na construção dos meus mundos. Sempre houve amor e possibilidades ao redor de mim. Na cronologia adolescente, continuei predominantemente privativo com relação ao meu estar no mundo. Aqui, tive muito contato com as histórias em quadrinhos. No muito que me divertiram e instruíram, compartilhei seu gosto com grandes amigos. E lembro que foi no meio destes tempos que entrei em contato com a vontade de escrever. Num intervalo entre aulas li um texto pequeno, mas profundamente existencial feito por dois grandes amigos: Duda e Taquinha (respectivamente Dudare Wriwrái, baixista da Cof Damu e Publicitário e Tiago Melo, Psicólogo). Era incrível! Uma forma de expressão que realmente me tocou. Pois, me pus a escrever também. Mergulhei em mim e achei na escrita o instrumento que preencheu minha necessidade de grito no mundo. Neste período escrevi bastante, principalmente em meio às minhas dores existências e amorosas. Chorei menos, escrevi mais. Predominantemente pequenos textos. Algo, talvez, semelhante a poesias, seja lá o que este rótulo signifique. Apenas durante algum tempo me importei em classificar a forma pela qual eu manifestava o que sentia. Com a entrada na faculdade, a escrita livre tornou-se mais rara. Foi quando precisei elaborar relatórios, resumos e as verdadeiras dissertações que eram pedidas nas respostas das avaliações. Notava um certo avesso meu às normas gramaticais da língua e devido a isso me sentia um tanto quanto restrito neste ambiente acadêmico. Mas no final das contas, trabalhar a idéia, experimentar, escrever, reescrever sempre foi muito bom. Assumir-me e principalmente, aceitar-me como alguém que escreve não foi fácil. Em meio à busca por minha identidade e utilidade no viver, trilhei o caminho da psicologia enquanto profissão, por um curto período me dediquei ao teatro e com muita intensidade desejei a música. Ao final, finalmente percebi que é escrever o que me move de fato. Ao longo do tempo fui deixando o pudor e a insegurança de lado e passei a escrever livremente sobre absolutamente tudo. Quando o ensejo se apresenta, eu registro. Escrever ilustra o meu amor por tudo e considero ser a minha melhor forma de estar no mundo. |
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