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| ESPERA, A ELA. | |
Em espera, agora, tudo se apresenta a mim. A mim, de modo tão geométrico. Porta, parede, vão, corredor. Tapete que me lembra a pérsia. Antiga. Deve ser uma imitação. Possível. Provável. A Pérsia é cara. Sua cultura é rara. A única que diferencia o padrão. Ela é bege, adornada com um adesivo. Algo de moderno. Idéia antiga. Aquele que extingue, o fogo, a acompanha. Porta de incêndio. É. Horas de agonia e o pensamento se autocostura. Lampejos de solidão insistem em se transformar em raios pesados, antenados com meus maiores medos. Eles têm odores os quais não quero sentir nunca mais. Mas... Eu não quero dar vazão a tal. Lembro-me de crenças, da infinitude e da impemanência. Organizo os motivos da ansiedade. Antevejo claramente as contingências do caos. Desequilibrado, sou aquém do meu amor pelo Todo. Sem tal porto seguro, amo em desqualificação, permeio a ilusão. Sou menos de mim. A tranqüilidade sombreia minha sensação. Não estou sozinho, nem nunca estarei. Há brechas, em verdade, próprias portas da compreensão. Aquelas que apenas amor sem muitas condições, ou mesmo incondicional pode proporcionar; manifestar. E por meio destas aberturas, me vou, me expresso, me descaro, me declaro. Estou assim, me ofereça seu perdão, não sou ladrão de ilusão, sou seu amor. Agradeço de antemão, adorno tanto o nosso coração, compartilhado amor. E a ilusão da perda, esquenta. Atormenta, emoliente. Quero um, quero ser, quero não achar que posso perder. Nada possuo e minha riqueza, nossa franqueza, se compraz nesta universal. Penso, verdade. Saudade que não tem fim, sem objetivo definido, a não se alimentar. Sentimento ruim. Enfim, dói, amolece, desespera. Somos mais, queremos mais, pretender mais do que faz. E a crença da diferença retoma, retorna, remonta. Se diferente, piamente crente. Impermanente, realmente satisfeita, contente. A felicidade parece ruir. O desespero parece grunhir. A dor, exaurir. Mudança, lembrança de infância. Relembrança. O que era encerra. Inevitabilidade, inexatidão do que vem adiante. Rotina que se estabelece, sentimento que aquece, mas machuca. Olhar para os lados, olhar para dentro. Choro. Passa rápido, o turbilhão é no pensamento. O que vai ser, como vai ser, quem vão ser.
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